Experiência Profissional
Sabe, hoje fui questionado sobre qual seria minha experiência profissional. E eu, como futuro profissional de RH, respondi tudo o que aprendi nas empresas em que trabalhei e falei sobre minhas experiências em áreas administrativas; porém, só falei das empresas em que tive um registro em carteira e dos meus empregos formais. Logo após o ocorrido, fui para minha mesa e comecei a pensar. Experiência... Como essa palavra abrange tantos sentidos. Comecei a lembrar-me de tantas coisas feitas na minha vida que influenciaram no profissional que sou, e até na minha personalidade; porém, coisas que não poderia citar em nenhuma entrevista.
As minhas recordações me levam a um tempo que eu pensava em dinheiro apenas quando queria comprar pipas, bolinhas de gude ou algum brinquedo semelhante. Nessa época eu e meu primo pensamos em montar uma empresa para entregar panfletos, (rsrs). Nós tínhamos no máximo 10 anos, mas já tínhamos um super espírito empreendedor. Começamos entregando panfletos para a Locadora de Vídeos do nosso bairro, apenas trabalho por diversão, mas com muita responsabilidade.
Passada essa fase, comecei a perceber que era bacana trabalhar e ganhar meu próprio dinheiro, e então, apareceu uma oportunidade de entregar panfletos novamente, só que dessa vez eu teria um salário fixo: cinqüenta reais por semana (Quanta grana!). Trabalhava no centro de São Paulo no cruzamento mais conhecido: Avenida São João com o Ipiranga. Quanta gente, quantas pessoas diferentes, quantas profissões, e eu no centro de tudo. Nessa época eu tive uma das experiências que mais marcou a minha vida.
Conheci um angolano chamado Luís, ele entregava panfletos no mesmo lugar que eu, um cara super-tranqüilo e que nunca tirava o sorriso do rosto. Eu me lembro de como suas atitudes eram tranqüilas, sempre tentando ser simpático, conversamos muito. Então, ele começou a me contar a sua história. Luís veio de Angola em busca de emprego, pois o sonho da maioria dos Angolanos é imigrar para outro País em busca do sucesso, e com ele não era diferente. Ele saiu de Angola deixando toda a família e sua noiva apenas com o dinheiro da passagem e sem conhecer ninguém aqui em São Paulo, chegando aqui foi para um abrigo e há três anos entregava panfleto em São Paulo para ganhar sete reais por dia. Trabalhava todos os dias da semana e seu almoço era um lanche grego de cinquenta centavos, e nada mais; pois todo o dinheiro que ele ganhava ele juntava para comprar sua passagem de volta.
Luís, diariamente, enfrentava várias dificuldades, sem contar com os preconceitos; porém, em todo tempo que eu trabalhei ao seu lado, nunca vi Luís tirar o sorriso do rosto. Toda vez que passo por alguma dificuldade, lembro dele e de como vivia. Não o vejo há mais de cinco anos, e recordo que quando o vi pela última vez, ele me disse que pelas suas contas faltavam mais dois anos de trabalho intenso para ele poder voltar para Angola.
Eu então me pergunto: Como relatar esses acontecimentos em um currículo? Como fazer isso? Saber digitar, fazer contas, dominar o PC é relativamente fácil, porque é sempre igual. Agora ter toda uma bagagem de vida e usar isso no dia-a-dia, é muito difícil. Por isso que, como futuro profissional de RH, penso em como analisar todas essas qualificações para dar oportunidade a quem se deve.
Isso não é fácil, então eu fico aqui pensando e analisando, e continuo perguntando: Qual é a sua experiência?
Escrito por Dimi às 22h09
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